quarta-feira, 3 de março de 2010

Cisão alguma


Estar invisível ao mal
Poder extrair a essência
Em seu âmago,
Amado me fez
De todo fulgor
Contido.
E alimentas a força
De tudo que explode
Em meu íntimo.
Execras a dor
que faz-me mentir;
Exilado na verdade
Mapeio um campo
Etéreo na lei da razão
E sinto todo o universo
Cabendo
em uma pequena parte
Do meu estranho amor...
São meus olhos,
Teimosos ao indicarem
A sua versão mais fácil
Quando,
de igual errata,
As mãos arvoram-se
Em descobrir
O que outro ente,
ao cerne de mim,
Domina e venera
Porém sou um tolo...
Mereço desprezo
Do principal abraço
E tudo que já quis
Tantas vezes
Levou-nos ao chão.
Há de querer-me
Quando o elo
Mostrar-se rompido
Busco-lhe no vazio
Mesmo embriagado
Por qualquer alegria
Alheia à nossa
Fazenda de sonhos.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O cheiro do amanhã


Eu hoje senti um cheiro de futuro...
Mas dos dias nos quais pensaremos não haver
um só mal-dormir
Uma forte impressão de que as pessoas não mais
olhariam-se descrentes
A nova onda com a qual a beleza olhará por todos
pelos bons atos

Foi então que eu estremeci...
As cabeças estariam erguidas para o eterno
em igualdade
As mulheres desejosas de si e afirmadas
pelo mundo
Toda diferença insensível ao toque nú
e a crença seria outra

Não distante, veio-me a fome...
Enganado pelo cheiro do amanhã quase morri
de vazio
E ao notar que ele vinha sorrateiro
de outras letras
Devorei as folhas na tentativa de alimentar-me
para os dias de hoje.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Clamo

Pedaço prata da lua
Verdade banhada em água de cheiro
Uma seda inteiriça,
Detalhes desdobra
Abismo entre lírios
Dos teus zis trejeitos
Você é a guia
Da luz retumbante
Não vale paraíso ao longe
Que mais atrairia?
És um monte presente
Em frontal paisagem, manhã.

Você...
Culpada do riso constante em mim
Traíra da falta que de mim brotaria
Não engaja na calma que nos quer ter frios
Tão sábia e lá forte que reconhece o enlace
Eu clamo...

Extrato do campo
Num aperto magistral
E há uma ponta de nobre firmeza
Não quer o desgosto
E eu clamo
Teus vis acertos
Ao trazer a beleza
Da luz condizente
Mais quero a flora bem rija
É o seu recontento
O fim do eclipse,
O período do beijo.