terça-feira, 8 de junho de 2010

Minha ação


Arte: Zephyrus transforming the nymph Chloris into Flora - Sandro Botticelli


Eu não vim para atirar em você
Nenhum jogo perdido de palavras;
Queria te salvar da sua visão
E não permitir que desmorone
Em sua construção falsamente concreta
De estrutura fundada em elogios alheios.

Não vou partir da minha ira,
Como um dia desses...
Saltando os pensamentos
Sem com eles gerar nem mesmo uma ideia;
Trago os sentidos de nós em confronto
E em sinal de calma não faço alusão ao seu nome.

Saber do meu coração
É o mínimo possível não exigido
Que eu também não atingi,
Não pelo menos de tão perto o suficiente;
Porém não vou fugir como disse,
Voando por cima de pedaços exauridos de fotografia.

Vou continuar n’um abraço bonito...
Só para não puir os bons fluidos de seu aperto
E ao exercer o princípio da primeira ruptura
Eu me traio!
Só para rir de mim mesmo
E gozar novamente um decisivo enlace.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Correria


A via da solidão
estreita os intentos do andarilho;
Na rota para o destino dos pés
Uma esteira desvenda o trajeto

Aturdido estará o jovem
no arremesso vil dos membros
Uma linha férrea em velhos tormentos
desafia um sóbrio à sua frente.

O viajante lacrimeja outros passos
Diante dos desejos violados
Ao investir de si ao vento, nesta curva.

“Dobre o ódio volvido no sentido oposto”
Que a chegada é feita em bom viés
E a serenidade sempre em prol da correria.

sábado, 15 de maio de 2010

Amor à espera

Um amor à minha volta é sempre o mesmo amor
Já fugi de certa vez, já se foi outras tantas
Já sofri, já vibrei,
reclamei o mesmo amor
E de volta pra casa pensei tê-lo deixado

Ainda que o amor tenha me exilado
Mais certeza não há de seu tom sagrado
É a própria guarida divina em vermelho
Não me deixas, permanece leal e ao meu lado

Não há paz, não consigo respeitar o tal amor
O que dos céus se ausenta entre nós, finalmente?
Nossas flores despetalam em palavras indecentes
E assim, ganho e perco, desarranjo seu fulgor

E na luta diária o amor se apaga
E na falta noturna ele se esconde
Na manhã seguinte ele espera ao pé da cama
E dos sonhos
Não desiste deste vil que o defende
Apesar de tudo
Sobretudo...
Admitindo ser estranho.

Um amor a minha espera tem o mesmo dom de amar
É loucura esse pesar, não o perderei de mim
De um salto, o exalto
E exalto meu conforto
De volta para casa hei de trazê-lo sempre comigo.