quarta-feira, 30 de junho de 2010

Perdão em contexto


Venha ao meu momento
Para que nem tudo fique sem cuidado
Quando eu jamais direi
Merecida seja minha pilhéria
Ao abraço sequer desmerecido
Da sua perfeição
Até que chore aturdido
Um rapaz...

Em nosso universo perpendicular
Os caçadores desistem
Antes de acordar
Porque nós, em contrário,
Formamos o par
Um ímpar sem casar
A dica não aceita
A melhor morada em nenhum lugar.

Só enxerguei o hoje
Naquele tempo,
Porque você era o olhar
Acredite, hoje sou cego,
Mas ouço nossas vozes do amanhã
E elas martelam tantos sins,
Querem tanto sorrir uníssonas,
Que temo não estar guiando-as como merecem

Não sou a razão para tudo existir...
Sou modesto e não ressinto
O seu amor é seu e pronto;
Sua tristeza você quem compra.
E eu pago as parcelas
Com riquezas que não disponho.
Perdão por ser o que mais queres
Que eu me perdôo pelas contas em atraso.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Minha ação


Arte: Zephyrus transforming the nymph Chloris into Flora - Sandro Botticelli


Eu não vim para atirar em você
Nenhum jogo perdido de palavras;
Queria te salvar da sua visão
E não permitir que desmorone
Em sua construção falsamente concreta
De estrutura fundada em elogios alheios.

Não vou partir da minha ira,
Como um dia desses...
Saltando os pensamentos
Sem com eles gerar nem mesmo uma ideia;
Trago os sentidos de nós em confronto
E em sinal de calma não faço alusão ao seu nome.

Saber do meu coração
É o mínimo possível não exigido
Que eu também não atingi,
Não pelo menos de tão perto o suficiente;
Porém não vou fugir como disse,
Voando por cima de pedaços exauridos de fotografia.

Vou continuar n’um abraço bonito...
Só para não puir os bons fluidos de seu aperto
E ao exercer o princípio da primeira ruptura
Eu me traio!
Só para rir de mim mesmo
E gozar novamente um decisivo enlace.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Correria


A via da solidão
estreita os intentos do andarilho;
Na rota para o destino dos pés
Uma esteira desvenda o trajeto

Aturdido estará o jovem
no arremesso vil dos membros
Uma linha férrea em velhos tormentos
desafia um sóbrio à sua frente.

O viajante lacrimeja outros passos
Diante dos desejos violados
Ao investir de si ao vento, nesta curva.

“Dobre o ódio volvido no sentido oposto”
Que a chegada é feita em bom viés
E a serenidade sempre em prol da correria.