terça-feira, 24 de agosto de 2010

Errante



Arte: Female Eagle in Mongolia
Matthieu Paley/Corbis


A cota de desespero inclui
amizade comprometida
O que está à vista não pode ser
Levado em consideração
Esforços empregados abatidos em conta
E toda diferença estabelecida...
Ao que está nos planos,
Tudo que for melhor na cauda do escorpião

Não se trata de uma noite “nada”
E um tudo constante
A ventania algoz
é conjurada com magia branca
Tudo que tomba, até os mortos
Largaram de si, por tristeza
Ou por extrema coragem
Nessa paisagem agridoce

Tomo a riqueza jacente
Em seu próprio tempo
Jamais identificado, ridículo
Que sou uma ave errante
Distante de empoleirar, melhor...
Que jamais chegarei ao futuro
Covarde sou em insistir
nisso tudo que faço e vou.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Com ferro, ferido

De tudo que lhe dói,
Eu dei o pior
Bem perto de admitir o acerto
Meu deleite perdeu o sentido
Imerso em razão voraz
O fiz partir...
Dilacerado no coração
Meu azar!

Uma vez certo,
Não vi a mim
E cortei-me mais fundo
Mas na sua carne
Protelei novamente
O melhor estado
Imerso no pélago de nós
Nos sonhos.

Sobrepujei os meus sentidos
Ao flagelarem-me
Com aquela dor
Que causei-lhe à tolice
E que matou-me
No próximo minuto
De remorsos
Perdeu.

E o buraco cardíaco
Inflama aí sem abrandar
Um tiro de culatra
Vem arder por cá
Eu perdi, era lâmina
Como poderia não ver?
Doía em mim, sem calibre
E estava em você.

Tipo

Da convicção purina
Verdade nos toma,
Um tabuleiro real de vida
E os olhos vestem-se
Em sua prontidão
Cansados de chorar,
Letais ao cerrarem
Portenhas de carne.
E recordam todo tipo de amor.

Sobretudo o irreconhecível:
A onda irrefreável;
A colheita diária;
Figurinhas;
O jantar de ontem;
Apenas uma fantasia;
Um sol eterno...
Ou algo ainda não definido.
Jacente em seu próprio sonho.

Que de fato seja
E que não haja por onde não ser
Eu, apenas,
O seu canteiro baixo
A lhe arrancar de volta
Nobres risos,
Mas puros,
Cativos.
Que não limitarás o contento.