segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Fuga


Eu não nasci para tudo
Nem sempre sigo tão mudo,
Eu busco cada olhar, cada palavra exata
Os teus semblantes livres
E os segredos que vão até a cintura.

O nosso mundo é bom,
Cada centavo, um nada,
Nós é que sujamos a casa.
Não sei de quem eu falo, já não sei quem descrevo
Não reconheço nem cruz, nem trevo.

Toda a cidade passa por mim
E o meu olhar passa bem longe
Lá em cima segue a verdade
Tão logo abaixo, meu desejante.

O curto virou distante
A eternidade fez-se tão breve
Eu não desisto, amar é isto...
Ciranda de vem e esconde

Sobrando em cada esquina
Eu fujo dessa carona
Eu corro, solto no morro
Tudo sem pedir abrigo.

Essa eu venço por mim mesmo
E em cada salto você é mais eu
O que esperas de mim, no fim
É que eu possa apenas ser teu.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Pão e suco


Dos últimos anos e da promessa
Extrai-se o melhor sumo.
Aqui há um bom motivo para jurar...
Doce presente que não escorre
Em face de uma liga indelével.

A realidade adiante cega
Mas lá está o melhor de beber
E quem não mereceu o que tem
Ajoelha defronte à rara posse...
Cálice salutar de amores em suco.

A outra parte começa na terra
Pontua a vida e se faz em planos
Receitas em trigo de sérios desejos
Deveras importante é o suor do trabalho
A ceia para dois já vai sair...

Mãos em dois pares dão conta
A massa é robusta, consistente
O calor desse abraço dita o ponto
E está tudo pronto!
Um destino gostoso versado em pão.

O pão e o suco que alimentam por anos...
Aos amantes que não arredam de suas apostas para vida.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Personalidade contingencial


Nada é tão grave e eu sou tantos...
Nem tão estranho que não se possa confiar
O centro da folha e cada ponta;
A própria reflexão de mim em água
Não no espelho.

O que mais incomoda...
Livrai-me! Sempre complicado,
Muito bem, obrigado!
O abstrato da mudança, inexato
Não o retrato.

Nada me faz direito
Total destrutivo, com muito respeito.
Amor...
agora e sempre, amém!
Só que o ódio transforma também!

Tenuidade é nada mais que realidade
Situação! Perfeição...
Quem criou? Quem quer?
Marketing furado!
Desce ao estômago, não traz namorado.

Não se deixe prender em um
Sai! Multi-aconteça!
És tantos e nem sabes.
Assim como eu,
Disfarçado e não educativo

Nenhum deslumbramento
Podes saber
Mas não anote, vai que não seja?
Venha e veja a feira
O eu social, urgente, improvisado, e contingencial.