sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sobre quase tudo...


O estado natural de nós mesmos busca reverter as ameaças em algo comestível. Quando a esquiva faz-se inócua, todo tipo de disfarce cai-nos bem. Viver à beira loucura é tantas vezes a melhor maneira de podermos ser quem realmente precisamos. E as máscaras tornam-se ridículas.

Palavras alheias de nada servem quando proferidas sem carinho. Conseguir identificar tal sentimento também não é tarefa fácil. Simples mesmo é acatar o que é música aos ouvidos, mas qual será a substância de tudo isso? A crítica tantas vezes salva o homem, o elogio quase sempre o derruba.

Nada que guarde dinheiro no bolso e sangue nos olhos possui o direito de reprovar algo em nós. Das pessoas odiosas, não aceitemos nem um pedaço de maçã. Contudo, nosso amor o mundo transforma. Digam-nos que não somos importantes e nós vos diremos que qualquer um é capaz de fazer a diferença.

Eis que todo o universo dói em nós. Quem mais amamos já não é pela nossa salvação. A consciência que apraz está no fundo. Somos quase que definitivamente o monstro que acredita a vida ter perdido. Não fossemos nós otimistas, meu caro, caminharíamos com um alvo tatuado nas costas.

Paratanto trazemos os olhares vencedores. Os erros constatam que somos incríveis. E queremos muito errar enquanto há tempo. A certeza de viver que hoje nos faz seguir conquistando o mundo torna tudo mais prazeroso. Ainda que tenhamos perdido a felicidade, queremos abraçar o planeta.

Então...
Somos otimistas de fato.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Salgado inventário


Estreando a dor
Dessa tormenta...
Ao terreno, tremor
Na fissura implacável,
Em beiras distintas
Findamos...

Viver à encosta,
Morte maior a saltar
Impiedoso abandono
Despedida...
Restarás a casa, vê-me triste...
Não mais nota chegada batida

Não esquecerás...
São muitos, os cães
Vistoso, o aquário
E pelo desenho
Há de chorar, moldura
Ainda que seja assinatura.

Roupas, modestas
Vivas em cores, sim
Em ti, amores
Presentes, favores
Renegai os discos
Trarão dissabores

O pequeno a questionar
A origem de um anjo.
As Donas,
“Onde estaria o marmanjo?”
Dirás, em não dizer que...
Sabe-se lá! Em cada amanhecer.

Em zilhões lembranças
Voltai ao penhasco
Convite erguido.
Vê-me de pronto peito
Morrei às dúvidas
Ou saltai comigo.

sábado, 19 de março de 2011

Resposta ao teu Templo de Hanuman


Ao vosso temor
O hindu traz solução
Um convite ao templo
E o primata quer-me lá
Se vires a alegria
Eu sou o próprio Hanuman

O que acompanhas à fronte

A confusão sentida
É filha da própria cegueira
Faz-te ver-me em distorção
“Macaco velho”, homem triste
De algoz aura negra
Parasita projetada

Olhar errôneo pelas costas

Devoção, é pela vida
Dedicação, aos amores
Ainda que tardias, estão à mesa
Não aceitas, preferes fome
Confusão
Sentida, então, pela amiga distante...

Vinde solução!

Devoção, dedicação
Não mais que força;
Perseverança
é de Hanuman
Salto um Índico, em um pé
Em minha alma, e sou outro.

Eis que foi-te embora.