quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O que é ser feliz...


Estou feliz porque descobri que posso sentir-me leve
Sem amar ou ser amado afetivamente por alguém...

Estou feliz porque tenho amigos que me escrevem só para dizer
Que a minha ausência faz-se muito presente do outro lado do mundo
E através do tempo que nos separa.

Estou feliz porque minha diversão é capaz de crescer quando falta-me dinheiro.

Estou feliz porque sou grato aos meus algozes de outrora que
Deram-me a oportunidade de conhecer a face obscura da alma para que
Eu pudesse optar em definitivo pela luz e me fortalecer em nome dela.

Eu estou feliz por ter ouvido muitos “não”s
Não acredito numa felicidade repleta de “sim”s

Estou feliz por cometer erros,
Sem eles eu nem saberia como agir de maneira correta.

Estou feliz pelos meus defeitos incorrigíveis...
Eles traduzem a minha habilidade para viver em meio às adversidades.

Estou feliz porque posso sentar e contar histórias de verdade.

Estou feliz por cada caminho errado...
Eles demonstram que um dia tive escolha
Inclusive para voltar e tomar o caminho certo.

Estou feliz por escrever este...
Pois mais alguém pode vir a descobrir que é profundamente feliz.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Eu, sempre


Se eu corro para me afastar
Tão próximo estarei do que me torna
Presente no regressar
Liberdade é fato e logo se consome e se reintegra
Tudo no dia que a compramos
Não é a era do efêmero?
Início e fim, juntos,
Substituindo o meio
Fazendo-nos dançar sem ao menos sentir no ar
De onde aquela música veio
Eis que o pedregulho vai da minha mão ao espelho
Estilhaça-se uma versão de mim
Da qual fora arrancado o tom vermelho
Não distante,
A surpresa é por conta do que vejo
Janela afora...
Um novo homem sentado na grama
Lendo um livro negro
De páginas vazias ou impronunciáveis
E tudo faz sentido...
A real história está diante de mim,
Na paisagem, no grande Mundo
As outras pessoas virão ter comigo
Não uma parte da minha vida
Mas a fase de uma gente
Que a um passo
Pode estar extinta
E pela imensidão da vida
Haverá de ser perene.
Se eu corro para chegar
Tão distante jamais estaria do que sempre fui...
Presente além da partida.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sobre o amor...


O que é o amor senão uma grande ilusão? Não digo irreal, já que muitas vezes sabemos onde ele mora. Porém, tantas vezes acreditamos erroneamente que ele está onde nós pensamos que está. Sua consistência em névoa ludibria a todos nós que querermos agarrá-lo de uma vez. Mas sabemos agora que é inútil. Talvez, uma das maiores decepções seja constatar que o amor não é dado a nós por alguém, mas criado inconscientemente dentro de nós mesmos, gerado e alimentado por nenhum outro ser senão nós mesmos. Claro que a base para que tudo isso ocorra é o modo de vermos e de sermos tratados por outra pessoa. Entretanto quem aqui nunca sentiu a sensação de amar alguém que na realidade não existia? Então o amor de fato é uma ilusão... E eu não quero condená-lo. Sendo ele invisível, não palpável e quase sempre irrastreável, haveremos nós de ruir à medida que permitirmos que esse nosso amor extravase para limites não desenhados além dessa garrafa que somos nós.